terça-feira, 23 de junho de 2009

Dez anos e não é dia de chorar!

Hoje eu sou a Menina Feliz que tem uma história pra contar e peço lincença à Nina para isso, mas acho que ela vai gostar!

A minha história é sobre alguém muito especial que me deixou há 10 anos, mas que não foi embora nunca de mim - meu avô. Durante a minha infância inteira eu tive carinho especial por velhinhos. Era o jardinheiro que quando ia trabalhar lá em casa, eu almoçava junto, ou o vizinho com quem eu ficava vendo o movimento na frente do prédio, ou o senhorzinho que costumava almoçar sozinho num restaurante que frequentávamos - sozinho quando eu não estava lá. Todos eles pra mim eram um pouco do meu vô, que morava longe de mim.

O Vô Antônio era um senhor alto, muito elegante, com cabelos e bigodes perfeitamente alinhados e totalmente branquinhos, eu nunca achei que ele fosse um velhinho. O sorriso dele era com lábios apertados e eu sei que ele tinha os olhos azuis. Eu não lembro muito bem dos olhos dele, porque estavam sempre emoldurados com um par de óculos dourados e com as lentes quadradas, que me chamavam muito atenção. Na nuca, suas ruguinhas formavam uma malha xadrez que onde eu adorava brincar, e ele tinha alguns sinais coloridos na perna que eu achava o máximo e que ele mostrava com paciência.

As crianças achavam ele muito mau humorado, porque tinha algumas manias de botar tela em todas as janelas antes do sol se pôr, pra que os "pernilongos" não entrassem e porque antes de entrarmos na casa de praia dele, tínhamos que lavar os pés num balde com água que ele deixava na porta, mas sabe?! isso nunca importou pra mim. A verdade é que ninguém jamais poderia entender a nossa relação - não sei bem dizer, acho que ele foi todo e sempre muito... meu.

Todos os dias que eu acordava na casa dele, era com ele que eu tomava nescau e era ele que me preparava pão com mel. Acho que a vó entendia que aquele era um momento só nosso. Era do jeito dele, muito mais gostoso que qualquer café da manhã no mundo. E ele sempre me lavava no colo aonde quer que fosse, e se gabou por isso por toda o resto de sua vida, mesmo quando eu já tinha crescido demais pra isso.

Um dia, eu fiquei doente quando ainda morávamos em uma cidade longe da dele e minha mãe comentou com a minha vó no telefone. No dia seguinte, de manhãzinha, minha vó pediu pra eles irem ver a gente e meu vô disse que não, que era muito longe. Depois de um tempo, ele foi chamá-la, dizendo que eles deveriam ir, sim. E eles simplesmente tocaram a campaínha da nossa casa, perto do meio dia. Simples assim. Sem aviso, sem telefonema. Não esqueço disso.

Mas meu vô não era só um vô fofo. Ele era um homem íntegro. Minha mãe, por exemplo, nunca viu ele e minha vó brigando, mesmo a minha vó sendo muito, muito teimosa. Em todos os momentos, ele a chamava de "querida". Nunca vi ninguém assim.

Quando ele morreu, a vó custou a se acostumar a botar o chinelo, quando levantava pra beber água no meio da noite, porque o vô sempre levava pra ela que, com certeza, fazia de propósito. Era um jeito muito querido de o meu vô demonstrar todo o amor que sentia pela minha vó. E eu, se fosse a vó, esqueceria toda noite também, só pra lembrar todo dia com quem era casada.

A vó continuou me contando muito tempo que o vô Antônio não se conformava de eu já não caber no colo dele. Amado!! Será que ele poderia imaginar que seria pra sempre meu amor mais querido??

4 comentários:

Nina disse...

Pati, vc tem toda razao qd fala que eu iria gostar. Eu amei e confesso que ja comecei lendo chorando, vc nao acredita na quantidade de lágrimas que ja escorreram aqui... rsrs

amei vô Antonio. Ohh gente, que lindo, que linda a relacao que vcs tiveram. E como ele de fato,é bonitao.
O que mais me encantou nele foi sua delicadeza com sua esposa, a paciencia e o carinho na forma de trata-la, chamando de querida, colocando os chinelinhos dela ali, aiii que bonito, vc tem um lindo exemplo de como os homens devem ser, Pati.

Vc é uma menininha mt sortuda e feliz. e eu me sinto, sinceramente, feliz por vc tbm:)

Um beijo bem grandao

Márcia disse...
Esta postagem foi removida pelo autor.
Márcia disse...

Oi Patricia,
Estou passando por aqui indicada pela Nina, é muito lindo o carinho que tens por seu avô, há alguns laços de amor que não conseguimos explicar... E as pessoas se vão, mas os laços permanecem sempre atados...
Felicidades sempre!

elisete disse...

Filha que coisa mais linda...como é bonito a maneira que escreves e como consegues transmitir teus sentimentos, puxa... o Vô Antonio era assim mesmo, ele tinha muito, mas muito amor por vcs. Que gostoso ler e lembrar de tudo que ele fazia quando nós íamos para a casa deles, me deu uma saudade tão gostosa agora...
Amo vc mais que tudo!!!!

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