Quando eu era criança, quebrei o quinto dedo do pé direito brincando um dia com minha irmã e minha prima na casa da minha tia. Quando mostrei o pézinho pra mãe, ela disse que ele só tava "magoadinho" e que não era nada demais. Mentira.
Anos depois, quando já era uma mocinha e comecei a usar botas de bico fino - minhas preferidas até hoje - esse tal dedinho começou a incomodar e fazer um calinho sempre. O quarto dedo tava ficando errado por causa do quinto que insistia em escalar o quarto. Um caos!
Eis que ano passado eu decidi operar. Colocaria um pino no quarto pra ele voltar a ficar reto e parar de fugir do quinto, e arrumaria o tendão do quinto pra ele parar de subir no quarto. Depois de alguns dias tiraria o pino e viveria feliz pra sempre. Mentira!
Quando acordei da cirurgia, o médico disse que tinha colocado o pino de um jeito diferente, pra que eu não precisa tirá-lo. E aí é que realmente meu pé virou o caos! Não tinha um sapato fechado ou de bico fino que eu pudesse usar durante mais do que 30 segundos sem que parecesse que meu dedo estava sendo furado de dentro pra fora.
Ontem, quase um ano depois, fui tirar o pino com outro médico, porque com aquele primeiro eu tive um estresse dos grandes. O procedimento seria super simples: abrir o dedinho, encaixar uma chave no pino, tirar e fechar o dedino. Anestesia local, na clínica mesmo, e minha irmã ficaria comigo, no que seriam 5 minutos. Mentira!
O caos parte três começou com piadas, eu deitada falando o máximo de frases por segundo por conta do meu nervosismo, a mãe na sala de espera porque não pode ver nada que o mundo já fica todo branco e a minha-irmã-que-segura-o-tranco segurando a minha mão.
Logo no início da cirurgia, depois de cortar meu dedinho (ai!!!) o médico percebeu que o pino estava muito mais preso do que deveria e começou o "téc-téc" martelando meu dedo praquele parafuso sair. Eu, óbvio, não via, né! Mas como surda ainda não sou, ouvia e podia imaginar cada passo que ele dava com aqueles instrumentos que, eu tenho quase certeza, ele também usa pra despregar coisas da parede da casa dele. E téc vai, téc vem.. eu dei uma parada nas 400 palavras por segundo e quando olhei pra minha irmã, ela tava branca e revirando os olhinhos pra parede.
- JÚ!!!
- ahhmm?
- GENTE, MINHA IRMÃ VAI DESMAIAR!!!
Era eu deitada-na-maca-com-o-dedinho-aberto segurando o braço da Ju pra ela não cair e dar com a cabeça no chão, a enfermeira tirando a luva bem rápido pra segurar a Ju, e o médico largando tudo e tirando a luva também pra contornar a maca e a ajudar a Juliana. Ah, gente, super básico!!
Eu fiquei largada na maca enquanto a Juliana era socorrida no chão. Super normal! E ela acordou, foi levada pra fora da sala, quase desmaiou de novo e minha mãe foi ficar com ela. E eu? Fiquei ouvindo o téc téc téc sozinha.. e pedindo mil desculpas pro médico. Que vergoooonha!!
No fim deu tudo certo. Em casa era eu com o pézinho pra cima num lado do sofá, e minha irmã tonta, enjoada e com o corpo mole no outro. Mas o bom humor a gente não perde e essa foi a piada do final de semana todo!E não é mentira!